Lembrei de um dia que fui lanchar no bom gosto com um amigo, logo depois o Andrey chegou sozinho. Sentou e ali ficou… sozinho esperando o lanche dele. Raramente ele ficava sozinho, pois conhecia muitas pessoas e eu estranhei vê-lo ali sozinho, imaginei que estivesse esperando alguém, mas ele lanchou e ninguém chegou. E eu fiquei olhando pra ele e não ouvia nada que o meu amigo dizia… Eu falava com meu amigo coisas que nem lembro porque só lembro do Andrey, me concentrei no Andrey e na infinidade de possibilidades e na atmosfera emocional sentida de uma forma intuitiva daquele momento. Ainda lembro o lugar que sentei e o lugar que o Andrey sentou, lembro do sorriso de canto de boca que ele deu ao passar pela minha mesa. Lembro da camisa azul que ele usava, com uma calça jeans.
Semanas depois iniciamos o curso de marketing político e três semanas depois ele me disse que foi lanchar ali porque me viu e que adorou ouvir minha conversa com a sensação de que estava fazendo parte dela, de que fazia parte do meu universo.
E ainda tem gente que insiste em dizer que preciso esquecer e viver. Não quero esquecer a melhor coisa que me aconteceu, não quero esquecer o homem digno, amigo leal as suas convicções.
A memória é tão traiçoeira que ontem chorei tanto pedindo que Deus conserve minha memória para que jamais esqueça os seus traços, as nossas conversas, as nossas risadas porque o que é eterno.
Eu dizia a ele que o amor não é apenas um sentimento e sim uma ação, uma atitude diária.
E ele viveu praticando o amor pelas pessoas e pela vida.
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