Existem mães e mães.

Hoje conheci uma mãe que não deixa seu filho de 3 anos nem pronunciar a palavra: Pai. Disfarcei para não demonstrar o tamanho da minha indignação, ela falava com tamanha naturalidade e eu só pensava que essa mãe teria motivos fortes e que deveriam ser respeitados, afinal nenhuma mãe proíbe o relacionamento pai x filho a toa. Ao longo da conversa não me contive e acabei perguntando porque o filho não podia conhecer o pai e muito menos pronunciar a palavra pai.

Ela respondeu:

“ – ah! não gosto do pai do meu filho, ele foi sacana comigo quando me largou.”

Me contive mais ainda pra não dizer que uma sacanagem não tem nada haver com a outra. Proibir sem motivo a relação entre pai e filho é desgastante. Toda criança quer saber de onde vem, com quem se parece, quer saber a sua historia. Ninguém consegue ser feliz incompleto.

Ser mãe me fez ser menos resistente as mudanças, ser mãe me mostrou que é necessário se colocar no lugar do outro, principalmente se o outro for minha filha.

Aprendi a mudar de acordo com as necessidades que minha filha apresenta, nunca escondi o pai, dela. Sempre o mantive nas historias, nas fotos, nas recordações dela. Por um bom tempo minha filha não demonstrou o menor interesse pelo pai, não tinha a menor vontade de estar com ele, de falar nele, eu respeitei, mas sempre deixei portas e janelas abertas para que ela tivesse liberdade de falar o que quisesse e quando quisesse. E no dia que ela sentiu vontade de falar, ela falou e eu o procurei. Ela tem o numero de telefone dele já ligou uma vez, mas o irmão dele atendeu e ela não teve retorno, mas dou a liberdade a ela que deve ser dada, afinal ele é o pai dela. A leveza que ela trata esse assunto é confortante pra mim e pra ela. Raramente o pai tem disponibilidade pra ela mas as poucas vezes que ele se encontram ela se diverte e isso já vale a pena porque fica marcado nela.. É necessário engolir muitos sentimentos ruins pelo bem estar emocional de nossos filhos, afinal o que eu penso a respeito do pai da minha filha é um problema meu e não da minha filha; a cada encontro eu garimpo os meus melhores sentimentos, eu colaboro, eu equilibro a razão e a emoção, tenho bom senso e infelizmente as vezes ele não tem mas não deixo que isso atrapalhe o momento da minha filha.

E já manifestei o desejo de que ele passasse um pouco mais de tempo com ela, mas não posso obrigá-lo.

Mas poder encostar a cabeça no travesseiro e saber que eu fiz o melhor, pra ela e por ela faz com que meu sono tenha muito mais qualidade. Ser mãe solteira não é fácil, mas não é por isso que devemos nos entregar a todas as dificuldades, nós devemos é superá-las.

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